As férias são uma oportunidade para descansar, brincar, viver novas experiências e também fortalecer os vínculos familiares. Nesse período, os livros podem se tornar grandes companheiros, criando momentos de diversão, imaginação e conexão entre crianças, adolescentes e adultos.
Incentivar a leitura durante as férias não precisa significar estabelecer metas, cobranças ou transformar o livro em uma obrigação. O mais importante é criar experiências prazerosas, respeitando a idade, os interesses e o ritmo de cada criança ou adolescente.
Confira algumas sugestões para aproximar os livros da rotina familiar.
Para crianças pequenas: transforme a leitura em brincadeira
Crianças pequenas costumam ter muita energia e podem permanecer concentradas por períodos mais curtos. Por isso, o momento da leitura pode ser dinâmico, divertido e cheio de interação.
Durante a história, experimente fazer diferentes vozes para os personagens, imitar animais ou reproduzir sons de chuva, veículos e objetos. Convide a criança a participar da sonorização e da narrativa.
As ilustrações também são importantes para despertar a curiosidade. Mostre as imagens, observe os detalhes e pergunte o que a criança consegue identificar em cada página.
Depois da leitura, a história pode continuar por meio de outras brincadeiras. Vale desenhar os personagens, imitar suas ações, cantar uma música relacionada ao tema ou encenar uma parte do livro. Assim, a leitura se transforma em uma experiência que envolve o corpo, a criatividade e a imaginação.

Para crianças que estão aprendendo ou já sabem ler: incentive sem cobrar
Para as crianças que estão começando a reconhecer letras e palavras, livros com textos em letras maiúsculas podem facilitar o acompanhamento da leitura. Aponte o texto, mostre as ilustrações e permita que a criança observe as palavras enquanto escuta a história.
Com aquelas que já sabem ler, uma possibilidade é começar a leitura em voz alta e, depois, convidá-las a continuar. Esse convite deve acontecer sem pressão. Caso a criança não queira ler naquele momento, o adulto pode seguir conduzindo a história.
Quando houver alguma dificuldade ou palavra lida incorretamente, evite interromper ou transformar o momento em uma avaliação. Repita o trecho naturalmente e mantenha a atenção no sentido e no prazer da narrativa.
Também é possível conversar sobre os personagens, imaginar outros finais, criar desenhos, encenar cenas ou inventar uma brincadeira inspirada no livro.
Criar uma rotina ajuda a fortalecer o hábito. A família pode reservar alguns minutos do dia para a leitura ou organizar um cantinho especial com livros, almofadas e objetos escolhidos pelas próprias crianças. Mais do que cumprir uma atividade, o objetivo é construir boas memórias em torno das histórias.

Para pré-adolescentes e adolescentes: interesse e autonomia fazem a diferença
Na pré-adolescência e na adolescência, a leitura disputa espaço com diferentes atividades, compromissos e estímulos digitais. Para aproximar os jovens dos livros, o primeiro passo é conhecer seus interesses.
Converse sobre os temas, gêneros e histórias que despertam sua curiosidade. Quadrinhos, poesias, contos, romances, fantasias, mistérios e biografias também são formas de leitura e podem abrir caminhos para a descoberta de novos autores.
Conteúdos produzidos por criadores que falam sobre livros nas redes sociais também podem ajudar a conhecer lançamentos e obras que dialogam com o universo juvenil.
Outra possibilidade é relacionar os livros a filmes, músicas, jogos e outras manifestações artísticas. A família pode comparar adaptações, montar trilhas sonoras para uma história ou conversar sobre personagens que aparecem em diferentes linguagens.
Criar momentos de conversa também contribui para manter o interesse. Uma vez por semana, por exemplo, a família pode compartilhar impressões sobre uma leitura feita em conjunto ou individualmente. Nesse processo, é fundamental ouvir o jovem, respeitar suas opiniões e permitir que ele participe das escolhas.
O exemplo também educa leitores
Crianças e adolescentes observam os hábitos dos adultos. Quando pais e responsáveis reservam um momento para ler, conversam sobre livros e demonstram interesse por histórias, mostram que a leitura pode fazer parte da vida cotidiana.
Não é necessário que todos leiam os mesmos livros ou durante longos períodos. Ler juntos, comentar uma passagem ou compartilhar uma descoberta já pode transformar a relação da família com a leitura.
Também não é preciso ter muitos livros em casa para começar. Bibliotecas públicas oferecem diferentes títulos gratuitamente e podem se tornar parte da programação das férias. Visitar uma biblioteca, escolher um livro e explorar suas estantes já é, por si só, uma experiência de descoberta.
As sugestões podem ser adaptadas para diferentes idades e realidades. O mais importante é começar, respeitar os interesses de cada pessoa e permitir que os livros ocupem a casa de forma leve, afetiva e prazerosa.
Nas férias, cada história compartilhada pode se transformar em brincadeira, conversa e memória. E uma memória leitora pode acompanhar uma pessoa durante toda a vida.
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