Para onde a pandemia está levando a Educação?
30%. Esse era o número estimado de estudantes da escola pública que estavam em risco de desistir da escola em setembro de 2020, de acordo com um levantamento do Datafolha. O número preocupante confirma que a pandemia de Covid-19 está gerando grandes perdas na Educação. Aumento das desigualdades educacionais, crescimento no número de alunos que abandonam a escola e perdas significativas de aprendizagem são alguns dos efeitos apontados por estudos recentes sobre o tema.
Desde março de 2020, com o fechamento das escolas, a comunidade escolar está enfrentando grandes desafios. Sem preparo ou aviso prévio, professores e alunos migraram das salas de aula para os vídeos e atividades remotas. Ao mesmo tempo, familiares passaram a prestar suporte no processo de ensino. Mas mesmo com muito esforço das redes de ensino para ofertar o ensino remoto, existem fragilidades que seguem impactando os estudantes. Quando se trata daqueles em situações mais vulneráveis, a situação fica ainda mais delicada.
Somando a falta de acesso a equipamentos e internet, a pouca autonomia das crianças mais novas para acompanhar as atividades não presenciais e os diferentes níveis de instrução e escolaridade dos familiares para apoiar neste processo, os índices sociais e educacionais sofrem perdas que podem impactar o país no longo prazo.
Para se ter uma ideia, o tempo médio dedicado aos estudos em 2020 não passou de três horas. Na legislação, a carga horária mínima estabelecida é de quatro horas. E mais: quanto menor a renda do indivíduo, menor é a quantidade de materiais recebidos e de tempo dedicado aos estudos.
Em conclusão, é certo que as desigualdades de oportunidades e de resultados educacionais vão aumentar diante desse cenário crítico. O impacto vai ser percebido tanto dentro de cada região como entre regiões, ampliando as desigualdades regionais.